A pista para aguçar os sentidos, não os sentimentos
Tenho acompanhado com atenção, os papos da galera do campeonato, e percebido em pista, várias reações, no mínimo, desnecessárias, que na maioria das vezes, são causadas por falta de conhecimento sobre o esporte a motor. Normal, ou nada de mais, em se tratando de uma categoria de entrada como é o kartismo indoor.
Vamos começar pelas maiores queixas sobre as diferenças entre os karts. São muitos fatores que podem gerar pequenas diferenças no funcionamento de chassis, motor e pneus. Uma briga constante do organizador para equilibrar, com o piloto para sentir alguma diferença. Todas as peças podem estar no gabarito, mas montadas e em elevadas temperaturas, alguma mudança pode acontecer, sutil, mas é assim. Agora pense, qual categoria motor tem excelência em igualdade de equipamento? Nenhuma posso afirmar. Como também é verdade que a frota do Meta Kart preza pela busca da igualdade, karts novíssimos e exclusivos para o campeonato, revisados e conferidos na pista, antes de cada etapa.
No kart indoor, essas diferenças só começam a serem percebidas pelo piloto, quando inicia sua evolução. "Tá saindo de traseira" ou como se fala, o kart está traseiro ou dianteiro, o piloto vai aprendendo a identificar e a adaptar sua pilotagem ao estilo do kart. Vejo muita reclamação de que pegou um kart ruim, porém não sabe o que exatamente está ruim, e pode nem estar ruim. Se acha que não tem o melhor kart, tente evoluir, não perder tempo com adversários, e pontuar porque o campeonato é longo e privilegia o piloto regular.
Para quem vai torcer, é muito importante explicar que não é igual ao futebol, por exemplo: não vale xingar o juiz ou juízes. Aqui no Meta isso é muito feio e um péssimo exemplo para a garotada. Somos a "Familia Meta kart", e estão todos tentando fazer o melhor. A verdade é que os bandeiras de pista e o diretor de prova decidem, a todo instante, ações muito subjetivas, e não dá pra saber ou julgar a intenção do piloto. Por outro lado, se o piloto vai para a pista com sentimentos além da rivalidade, melhor trocar para um esporte de contato físico, onde poderá externar melhor e mais objetivamente esses sentimentos.
Notei que o campeonato cresceu e o Flavinho, realmente, pouco requisitado pelos novatos para uma resenha. Quem chegou agora e não conhece o ex-gorducho mais veloz do Brasil, posso falar de camarote quem é o piloto Flávio Costa. Conheci ele criança, ainda nos boxes, acompanhando o pai, a mãe e a irmã que competiam no carioca da kart. Cresceu ali no meio, tipo familia Verstappen mesmo. Quando chegou a sua vez, se tornou o maior especialista de kart rental do Brasil, acumulando 22 títulos, Flavinho é o atual Bi-campeão Brasileiro (NKR), na categoria Pesado. Agora com essa onda de emagrecimento, deixou de ser gorducho. Se você pensa que foi estética, se engana, foi para mudar de categoria porque já ganhou tudo onde estava, ou quase isso, Flavinho esse ano, vai competir em duas categorias, Médio e Pesado. Sempre converso com Flavinho e cada frase dele é uma lição. Vivo aprendendo, e considero um luxo ter, entre os pilotos, correndo com eles, um Campeão Nacional.
Por fim, insisto na premissa para reflexão: Um bom piloto revida atitudes anti-desportivas, com treino para melhorar seus tempos, obter a pole, e conquistar a vitória na corrida, isso é competir.
Editor do site, cronista e fotográfo especializado nos esportes a motor