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Entrevista

Uma vez piloto, sempre piloto


De férias no Brasil, o Meta Kart Indoor recebeu a ilustre visita do piloto e amigo Nelson Silva Jr, 55 anos de idade e 45 de automobilismo.

Nelsinho, como é mais conhecido, teve a oportunidade, ao longo da carreira, de pilotar vários carros diferentes de turismo e até protótipos. O início, não poderia ser de outra forma...

"Comecei com 10 anos. Em 1979, foi a primeira vez que eu andei de kart. Nunca fui campeão (foi 3 vezes vice-campeão carioca de kart, em categorias diferentes), mas, lembro de uma prova bacana no kart que eu ganhei. Foi a inauguração do Kartódromo de Jacarepaguá, em 1983. Corri na categoria Quarta Menor.

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Nelsinho a frente de Rubens Barrichello na inauguração do kartódromo de Jacarepaguá

O Rubinho Barrichello tinha sido campeão brasileiro um ano antes e convidaram ele a participar da prova de inauguração do kartódromo. O Bruno Aguiar largou na pole e eu, em segundo. Logo no início da corrida, o motor dele "colou" e Bruno saiu rodando. Fui para a ponta e na época eram 15 voltas, ou 17 voltas a corrida. Dei as 17 voltas, na frente do Rubinho e ganhei a corrida. Eu tenho até a foto aqui dessa chegada, segurando a bandeira, antigamente quando você ganhava a corrida, a direção de prova te dava uma bandeira de chegada para você dar uma volta sozinho na pista. Comemorei e curti muito essa vitória que marcou minha infância", recorda Nelsinho, orgulhoso do feito.



"No kart, passei pelas principais categoria e posso dizer que fiz a "universidade do kartismo". Em 1989, passei a correr de carros turismo. Nos monopostos, corri uma prova na Fórmula Chevrolet e pilotei um Fórmula Ford. Nas categorias de turismo, comecei com o VW Passat, em dupla com Wagner Moreira Santos, o Vaguinho, que me chamou pra correr. Depois fui pilotar o Fiat Uno, em 1992, no Brasileiro de Fórmula Uno. Após duas temporadas, passei a guiar o Uno Turbo.

A seguir, a GM fez um campeonato só de Corsa Regional, fui correr a Copa Corsa, em 1997. Outra passagem importante no currículo, foi em 2002, quando venci uma corrida da Copa Clio, no antigo Autódromo de Jacarepaguá, no Rio.

Até que o destino me uniu a Techpromo, que colocou as Ferraris para fazer dupla com o piloto Lucas Molo, no Brasileiro de Endurance. Fui Bi-Campeão com eles".

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Nelsinho de Corsa no autódromo de Jacarepaguá

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Com a Ferrari fez dupla com Lucas Molo

Nas categorias protótipos, Nelsinho foi tricampeão, além de vencer duas edições da tradicional prova "500 km de São Paulo". Na sua avaliação, o carro mais bacana que guiou foi, "certamente a Ferrari 550 Maranello. uma 12 cilindros em V, que devia ter uns 550, 560 cavalos, um carro icônico. O barulho em interlagos, parecia de um Fórmula 1", lembra Nelson.

Sua maior qualidade pilotando, é a constância, "você tem que ser numa corrida de 30 minutos ou numa corrida de 4, 5, 6 horas, você tem que ser constante, evitar errar e chegar na frente, dar o máximo. Se vc for rápido e regular. Você chega na frente", ensina o piloto. "A última vez que pilotei um kart, foi lá nos Estados Unidos, em Miami. Fui com o Helinho (preparador renomado) correr com um Tony Kart, em 2014. Foi a última vez que eu fiz uma prova oficial de kart, mais de 10 anos, né. Parece que foi ontem.



Fazendo um paralelo, do kart de 11 anos atrás, para o de hoje, é mais ou menos igual. Diferença mesmo notei no comportamento dos pneus. A guiada do kart é outra. Antigamente a gente vinha escorregando de lado. Hoje, não pode. Nada a ver com aquela guiada de vir na curva e jogar o kart, vir atravessando, isso aí, esquece. Hoje você vai lá, "papai e mamãe". Freia, acelera, freia, acelera. Isso aí pra me acostumar demorou. Apanhei porque eu queria vir jogando o kart e o Helinho falou assim:
─  Esquece aquela tua guiada da infância que não existe mais!


Com o capacete nas mãos, Nelsinho continuou falando de kart,"naquela época não existia indoor, então, essa porta de entrada, como você falou, do kart indoor, é a melhor coisa. Hoje você pode definir se a criança quer correr realmente, a um custo muito mais baixo, o aluguel... ver logo se tem talento, ou se não tem. Se tem talento, aí sim, você passa para a pista. Que os custos já são muito mais elevados, pneu, mecânico, motor, outros dois, três, kart. Ali você vai adquirir mais experiência, mais com custo maior. Então, o ideal hoje é você passar uma temporada, duas, três, no indoor, disputando campeonatos bons, como esse no Meta Kart.

Nesse momento da entrevista, percebi uma certa ansiedade do Nelsinho, e como o conheço a muito tempo, interrompi a gravação e perguntei:


─  Você tem hora pra ir embora?

─  Não Marcelinho, é que daqui, estou vendo a pista, e bateu uma vontade de dar umas voltas. Uma vez piloto sempre piloto.


Texto Marcelo Moreira

Fotos arquivo pessoal

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Equipe Meta Kart Racing