Entrevista com Renato Cantharino
"O Carioca de Kart, não tem 100 pilotos participando. A facilidade de acesso, a estrutura, o nível das pistas e dos karts, incentivam os jovens a participar desse campeonato."
Por uma questão óbvia, já se tornou praxe realizar as entrevistas exclusivas aqui do site, nos salões do Meta Barra. Com o Renato Cantharino, 41 anos de idade, jornalista idealizador e apresentador do podcast Turbinol, combinamos, no mesmo dia de treinos do campeonato. Não para minha surpresa, Renato chegou cumprimentando, acaloradamente, as pessoas, conhecidas do kart carioca. Por conta da música no salão, procuramos um ambiente silencioso para gravar a entrevista.
Achamos um, com dois pilotos adolescentes, de macacão amarrado na cintura, estudando com os cadernos abertos. Assim que eles nos viram, reconheceram o Renato, e foram logo elogiando seu programa. Fácil notar que, humildemente, Cantharino tem uma relação de respeito e carinho com seus admiradores. Nesse clima saudável e propício, Renato bateu um papo com Marcelinho, que você pode ler a seguir:
Marcelinho Moreira - Que recepção bacana. Para aqueles que ainda não te conhecem, descreva sua trajetória até chegar no esporte a motor.
Renato Cantharino - Sou jornalista e radialista, trabalhei muitos anos em rádio (Rádio Globo e rádio CBN), depois fui trabalhar na TV Record, e mesmo não sendo do segmento de esportes nessas emissoras, sempre tentei levantar a bandeira do automobilismo. Fiz muitas matérias sobre o fim do Autódromo de Jacarepaguá, e a denúncia sobre os explosivos no terreno de Deodoro, foi minha. Sempre procurando misturar o ofício de jornalista a minha paixão, o automobilismo.
MM - Como surgiu a idéia de produzir o podcast Turbinol?
RC - Foi em 2022, trabalhava na Record. Criei o Turbinol, um boletim de rádio, que falava de todas as categorias, boletim diário, de um minuto, na rádio Tribuna FM, de Petrópolis. Depois, em 2024, transformei o boletim de rádio em podcast para eternizar as histórias do automobilismo carioca.
MM - Você também considera que o kart indoor é a nova porta de entrada do automobilismo?
RC - Principalmente uma experiência como o Meta Kart. Quando era jovem, com meus 18, 20 anos, as corridas de kart indoor não dava nem pra comparar com a experiência que você tem hoje. Comentei no podcast com o Márcio André e com o Bruno Aguiar, a família toda se sente bem aqui. Um espaço onde o garoto entra e acaba descobrindo a história do Brasil no automobilismo Acho que o Meta Kart acabou entrando nessa onda da juventude vindo pro automobilismo, Netflix, Drive to Survive, o Meta Kart aprendeu a falar a língua do jovem. O garoto que conheceu o automobilismo pela Netflix, chega aqui e se identifica com o que encontra.
Repórter oficial na transmissão do Carioca de kart
MM - Como você avalia o kartismo carioca na atualidade?
RC - Acompanho aqui o Meta Kart e também acompanho o Campeonato Carioca e o Estadual, porque sou o repórter oficial da transmissão do Campeonato. Acho que estamos no momento de efervescência, porém, o fato do automobilismo ter sido tão sucateado durante anos, após o fim do autódromo, faz com que o trabalho aqui no Rio de Janeiro seja mais árduo. Precisa ter ainda mais empenho do que em outros estados e cidades onde o automobilismo nunca morreu. Aqui no Rio praticamente morreu. Então é essa nova geração, através de Guapimirim, que vai fazer o futuro do nosso automobilismo. Os melhores pilotos do kart do Brasil são cariocas, então a gente precisa levantar essa bandeira.
MM - Você está acompanhando as notícias sobre o novo autódromo do Rio?
RC - Acompanho de perto com o Raphael Lima, ex-sub-subprefeito da Barra e hoje é o chefe de gabinete do Carlo Caiado. Raphael, que é também piloto, está participando das reuniões com o pessoal da Rock World, a empresa do Rock Rio que vai construir esse novo autódromo. Agora, algumas semanas atrás, aconteceu a reunião do Medina com o Eduardo Paes, e o Carlo Caiado. O Raphael Lima esteve presente onde eles apresentaram o traçado. A Rock World contratou projetista da Fórmula 1 que fez o traçado de Las Vegas. Está muito perto de acontecer, e o projeto é todo com investimento da iniciativa privada. Esse é o esporte que mais recebe pancada. Todo mundo quer dar pancada no automobilismo, considerado esporte de rico, que não é popular e etc...Por isso, é importante deixar claro que não vai ter dinheiro público, que vai sair do hospital para fazer autódromo. Não vai ter dinheiro que vai deixar de cuidar dos parques da cidade para fazer autódromo. Serão empresas privadas que vão construir e vão administrar o autódromo. Acredito muito que nos próximos anos a gente deve ter corrida no Autódromo Parque Guaratiba.
MM - Na última etapa do nosso campeonato, você estava presente. Não tivemos tempo de falar, a gente apenas se cumprimentou, mas reparei que você estava assistindo as corridas. O que achou?
RC - Muito bacana, ver uma rede de kartódromos indoor, como o Meta Kart, cada dia crescendo mais, acredito que não vai demorar até a quarta pista, e a quinta. Todo shopping do Rio de Janeiro, depois de ver o sucesso do Meta Kart, vai querer ter uma unidade. Aqui tem um campeonato próprio com muitas etapas passando de 100 pilotos inscritos. O campeonato oficial, Estadual e o Carioca de Kart, não tem 100 pilotos participando. A facilidade de acesso, a estrutura, o nível das pistas e dos karts, incentivam os jovens a participar. É um campeonato que precisa ser levado muito a sério pelos organizadores e pelos pilotos que estão competindo. Maravilha vir aqui e ver tantos jovens, amantes do automobilismo, competindo sério, em campeonato bem organizado com uma excelente divulgação. Isso é um incentivo danado, eu acho que é muito necessário esse campeonato Meta kart para cada vez mais atrair o jovem para o automobilismo. O kart é um hobby, mas é um hobby que pode ser levado muito a sério e que pode ser o pontapé inicial de uma carreira brilhante mundo afora.
Renato é o criador e apresentador do podcast Turbinol
MM - Você conhece a "Família Meta Kart"?
RC - Sobre isso, acho muito importante essa união. A gente vê aqui o movimento dos pais dos pilotos, além de ser uma pista, é também um ponto de encontro, onde nascem grandes amizades. Às vezes é o pai de um, tentando ajudar o filho do outro. Esses dias, conversando com o pai do Caio César, entendi como ele tenta ajudar o Miguel Poly, porque sabe que é um menino que tem um futuro brilhante pela frente. Então, além de toda questão de pista, o que acontece aqui nos bastidores, nas mesas entre uma batata frita, um hambúrguer e um refrigerante é muito legal. Estão se criando laços que precisamos, antes de tudo, para voltar o automobilismo. O que a gente deseja no Rio de Janeiro é união, e aqui é um ótimo ponto de encontro para quem ama automobilismo.
Texto Marcelo Moreira
Fotos arquivo pessoal